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ARTE E CULTURA

A Indústria Tauromáquica afirma
A tourada é uma arte de carácter universal, representada por pintores, músicos, escultores e escritores: Goya, Sorolla, Picasso, Orson Welles, Góngora, Quevedo, Benavente, Lorca, Machado, Alberti, Vargas Llosa, Hemingway e Ortega e Gasset. É a festa popular mais cultural do Mundo”.

 

Os factos são:

A Tourada ocorre mundialmente em apenas 9 países. Um número considerável de países já baniu a tourada por lei, ex. Argentina, Canadá, Cuba, Dinamarca, Alemanha, Itália, Holanda, Nova Zelândia e Reino Unido. Em países onde se realizam touradas existem inclusivamente certas regiões que as aboliram, como por exemplo as Ilhas Canárias em Espanha e grande parte de França.

Enquanto que alguns artistas e escritores defenderam a tourada, muitos outros opuseram-se a ela, incluindo Hans Christian Andersen, Alain Delon, Victor Hugo, Franz Kafka, Renaud, Rainer Maria Rilke, George Bernard Shaw, Albert Schweitzer, Mark Twain, e H.G. Wells.


Existe também um número significativo de políticos de todos os sectores políticos que se opuseram à tourada: Hélène Flautre (Verdes), Françoise Grossetête (Conservador), Bernard Lehideux (Liberal), Michel Rocard (Socialista e antigo Primeiro Ministro), François Léotard (anterior Mayor de Fréjus e antigo aficionado), e Alain Lipietz (economista e politico).

Mesmo acreditando que a tourada é tradição ou cultura, isso nunca poderá justificar a crueldade com os animais: crueldade é crueldade, independentemente do sítio no mundo onde ocorre. A crueldade com os animais não tem lugar numa sociedade moderna.

ECOLOGIA

A Indústria Tauromáquica afirma:

“Muitos touros bravos são criados em áreas semi-preservadas de montado. Estes montados são o habitat de diversas espécies protegidas tais como o lince e a águia imperial, e são tidas como áreas de grande beleza natural. A indústria tauromáquica defende que estas áreas e espécies protegidas vão desaparecer se a tourada for abolida, porque o seu negócio faz uma contribuição valiosa e insubstituível para a preservação do Montado.”

Os factos são:

A criação de touros bravos não é a única função e finalidade do montado. Uma grande variedade de espécies iria beneficiar da sua existência continuada e estas manteriam o equilíbrio dos ecossistemas formados.

Os touros bravos que são criados nestes terrenos não têm um papel crítico no funcionamento destes ecossistemas: não são predadores nem presas. Nenhuma autoridade local alguma vez identificou a remoção de touros como uma ameaça para as espécies protegidas. Desta forma, a remoção do touro bravo destes espaços não deverá conduzir a qualquer danificação dos ecossistemas.

Muitos donos de montados podem escolher a utilização que querem dar à sua terra, independentemente de quererem ou não manter os touros


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Assim, compete às autoridades locais assegurar que essas terras e espécies são protegidas. Já existem leis para este objectivo: 73 leis e regulamentos sobre a protecção da águia imperial e 50 leis e regulamentos sobre protecção do lince. Além disso, o Foro Encinal, uma aliança de vinte organizações cuja função é a defesa e conservação do montado nunca identificou a criação de touros bravos como sendo benéfica para o delicado equilíbrio ecológico do montado.

Catálogo Nacional de Espécies Ameaçadas; Lei 493/1990; Información oficial del Ministerio de Medio Ambiente, España

Relatório de Anna Mulà, Advogada, Stop Our Shame (SOS)





ECONOMIA & SOCIEDADE

A Indústria Tauromáquica afirma:

“A tourada garante 3.700.000 dias de trabalho; 378 trabalhos a longo termo e tempo inteiro; 2.950 trabalhos sazonais e é uma parte vital da indústria do turismo em Espanha, além de ser um espectáculo importante para o povo Espanhol.”

Os factos são:

A indústria tauromáquica e os seus apoiantes defendem frequentemente que a tourada é importante para a economia espanhola e das suas regiões. No entanto, a informação real fornecida pela indústria tauromáquica mostra uma realidade diferente. Menos de 400 pessoas estão empregadas a tempo inteiro ao longo do ano pela indústria tauromáquica em Espanha.

A indústria tauromáquica gera dinheiro, mas os lucros acabam nas mãos de um número muito pequeno de pessoas que pertencem à elite desta indústria. Estes membros “ricos” da indústria, sabendo que o seu negócio está em recessão, não corta os seus próprios lucros mas sim pedem subsídios para cobrir uma larga porção das suas despesas. As actividades tauromáquicas são fortemente subsidiadas em Espanha por todos os níveis do Governo. Estima-se que em Espanha, por ano, mais de 530 milhões de euros do dinheiro dos contribuintes é destinado à indústria pró-tourada.

Muitas vertentes da indústria recebem subsídios, incluindo: escolas de toureio, clubes de aficionados, criação e abate do touro bravo, aquisição de touros para festas populares, promoção e marketing para tourada, pagamentos por estações de televisão pública para os direitos de transmissão, museus pró-tourada e muitos outros. Todos estes subsídios afastam dinheiro de problemas sociais graves como o acesso a sistemas de saúde públicos, educação, infra-estruturas, idosos, segurança pública, assistência social e outros.  

De forma a avaliar a popularidade da tourada é importante olhar para as sondagens independentes feitas a amostras representativas da população. Todas as votações realizadas demonstraram que uma impressionante maioria dos espanhóis e franceses não estão interessados na tourada. Existem agora 49 cidades e municípios em Espanha e França que se declararam anti-tourada. Isto serve de reflexão para a crescente impopularidade da tourada e para o facto de os apoiantes da tourada serem uma minoria que perde apoio todos os anos.   

A indústria tauromáquica regularmente afirma que a tourada é uma fonte importante de receita para as cidades e municípios. No entanto, é importante relembrar que os turistas visitarão Espanha com ou sem tourada: os turistas não vão a Espanha propositadamente para ver tourada. Na realidade, devido ao conceito moderno de “ethical travelling”, é provável que mais turistas visitem Espanha, Portugal ou o Sul de França quando a tourada já tiver sido banida desses sítios.

Presenciar uma tourada por curiosidade e nunca mais querer voltar é um fenómeno comum entre turistas, o que certamente não contribui para a argumentação da indústria de que a tourada é popular.

A indústria tauromáquica frequentemente cita o número de “assentos vendidos” como um indicador da popularidade da sua actividade. Ignoram o facto de muitos destes assentos serem usados pelas mesmas pessoas muitas vezes, quer seja por pessoas que têm bilhetes para a época (que representam a maioria dos assentos vendidos) ou pelos aficionados que viajam de cidade em cidade para assistir às touradas. A própria indústria já não esconde o facto de ter uma “crise de assistência”.

A UE subsidia a criação de touros bravos em sistemas extensivos. Os criadores recebem 220 Euros por touro por ano, sobre os subsídios nacionais (Debt in the Afternoon, The Guardian, 12 de Maio de 2008).

1* ‘El mundo del toro defenderá la Fiesta en el Parlamento Europeo’, ABC, 22 Fevereiro 2008

2* Stop Our Shame, Espanha (www.stopourshame.com)

3* Uma votação realizada pela Gallup em 2006 demonstrou que apenas cerca de 7% dos espanhóis se considera fã de touradas e que 82% dos espanhóis entre os 15 e os 24 anos de idade não tem qualquer interesse em touradas.

O Futuro

A Indústria Tauromáquica afirma:

“Nobre e bravo, o touro cresce em combate e na arena exerce a sua bravura. O touro bravo existe porque a festa brava existe. Se a tourada for banida, um património cultural com tradição em Espanha, Portugal e América Latina será irreversivelmente mutilado”.

Os factos são:

As sociedades humanas e culturas mudam ao longo do tempo. Hábitos sociais e culturais considerados aceitáveis outrora deixam de ter lugar na sociedade europeia moderna. Se o bem-estar humano ou animal for comprometido, a tradição deixa de ser um factor importante quando se considera se um costume deverá ou não ser banido.

O nosso conhecimento do bem-estar psicológico e físico dos animais melhorou bastante durante os últimos 100 anos. A forma como os touros são tratados durante a tourada é contrária aos valores do bem-estar animal aceites em qualquer sociedade moderna. Agora sabemos que os touros – tal como outros mamíferos – são seres sencientes, capazes de sentir dor e sofrimento. A afirmação de que o touro cresce em combate e que aprecia ser torturado e morto numa arena desafia a razão.

Todas as estáticas demonstram uma tendência clara de que a oposição à tourada está a crescer em todos os países europeus onde ocorrem touradas. Em particular, as gerações mais novas mostram muito pouco interesse neste passatempo cruel. O facto de estarmos a ensinar as gerações futuras – as nossas crianças – a respeitar o ambiente e os animais inevitavelmente significa que a relação entre os humanos e os animais está a alterar-se. O Homem e o touro podem continuar a coexistir pacificamente. Os touros poderiam ser mantidos em reservas naturais especiais, estabelecidas especialmente para preservar diversas espécies.

A União Europeia (UE) já demonstrou liderança e empenho em relação a diversos temas de bem-estar animal ao introduzir diversas melhorias na forma como são tratados os animais de quinta e animais selvagens. O futuro entre nós e os animais depende das políticas progressivas da UE.

Factos e números

França:

Um estudo realizado em 2003 em França demonstrou que 73% da população francesa é contra a tourada, e que apenas 5% é fortemente a favor (TNS Sofres, encarregada pela Franz Weber Foundation).

A tourada ocorre em apenas cerca de 10% do território francês. Apesar do facto do código penal reconhecer as touradas como “actos cruéis e maus-tratos severos para com os animais” (artigo 521 – 1), é permitido que a tourada continue nesta área minoritária como uma “tradição local ininterrupta” (7).

A indústria tauromáquica francesa mantém-se activa graças a financiamento público. Recebe dinheiro de cidades e/ou departamentos, regiões, Estado e da UE. A dependência de fundos públicos pelas touradas levou a que a cidade de Arles, no sul de França, se endividasse em 300.000 euros devido ao festival taurino Féria 2008 e Bayonne2 se endividasse €247.250 em 2007.

Em França existem 4 escolas de toureio.

Portugal:

Fevereiro e Março de 2007, estudo nacional realizado em Portugal por Metris Gfk:

“Considera que a tourada deveria ser proibida por lei em Portugal?”

• 50,5% dos entrevistados respondeu “Sim”

• 39,5% respondeu “Não”.

“Gostaria que o Município da cidade onde reside a declarasse uma cidade onde as actividades relacionadas com tourada não são autorizadas?”

• 52,4% dos entrevistados respondeu “Sim”

• 36,8% respondeu “Não”

Apesar da crença popular fora de Portugal, os touros das touradas portuguesas são sempre magoados com diversas bandarilhas e várias vezes são mortos (em muitas touradas são mortos em público e nas restantes são mortos em privado depois do “espectáculo”).

Espanha:

O estudo realizado em 2006 pela Gallup sobre a opinião dos espanhóis em relação à tourada mostrou que 72,10% dos espanhóis não está interessado de todo na tourada e que apenas 7,40% está muito interessado; na Catalunha mais de 80% não mostra qualquer tipo de interesse.

As actividades tauromáquicas são fortemente subsidiadas em Espanha por todos os níveis do Governo nacional. Estima-se que em Espanha, por ano, mais de 550 milhões de euros do dinheiro dos contribuintes é destinado à indústria pró-tourada3.

Em Espanha, o número oficial de touros mortos em touradas oficiais em arenas permanentes é de 11.4584 no ano de 2006. No entanto, considerando as muitas touradas em arenas móveis e os toiros que são mortos durante treinos e outros eventos relacionados com touradas, estima-se que pelo menos 40.000 toiros sejam mortos pela indústria tauromáquica todos os anos na Europa, e cerca de 250.000 no mundo inteiro.

A tourada é ilegal em algumas regiões de Espanha, incluindo as Ilhas Canárias. Está em declínio forte noutras regiões, existindo apenas duas arenas activas nas províncias de Galiza e Astúrias e apenas uma arena de toiros na Catalunha.

Em Espanha existem, no mínimo, 42 escolas de toureio onde as crianças são ensinadas a ferir e matar toiros.

A regulamentação espanhola não permite que crianças com menos de 16 anos possam matar toiros em eventos públicos e então elas são frequentemente mandadas para o México, onde não existe limite etário.

O canal televisivo espanhol RTVE deixou de fazer a cobertura ao vivo das touradas em Agosto de 2007.

Europa:

A UE subsidia a criação de toiros bravos em sistema extensivo.

Num estudo realizado em 2003 em diversos países europeus, 93% dos alemães, 81% dos belgas e 82% dos suíços afirmaram ser contra a tourada (TNS Sofres, encarregada pela Franz Weber Foundation).

89% dos britânicos afirma que nunca visitaria uma tourada quando estivesse em férias.

76% afirma que é errado a indústria do turismo promover uma tourada de qualquer forma (sondagem ComRes, de Abril de 2007, encarregada pela League Against Cruel Sports).

*1 La Provence, 29 Março 2008
*2 Dados revelados pelo conselho da cidade de Bayone n° 44 (25 Outubro 2007)
*3 Stop Our Shame, Espanha (www.stopourshame.com)
*4 Ministério do Interior de Espanha

 

Oiça o seminário que teve lugar no Parlamento Europeu, em Bruxelas, a 4 de Junho de 2008, em que vários peritos discutiram estas questões:

Seminar1  Seminar2   Seminar3   Seminar4

Esta página foi traduzida em português pela associação Acção Animal

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